O Rio de Janeiro: um farol para o Brasil do século XXI

Grandes transformações nacionais quase sempre começam em territórios capazes de experimentar novas ideias, conectar diferentes atores e demonstrar, na prática, que outro modelo de desenvolvimento é possível.

O Brasil Soberano 4.0 parte da convicção de que o Rio de Janeiro pode desempenhar esse papel.

A poucos meses de um novo ciclo de gestão no Palácio Guanabara, o Rio de Janeiro se depara com um paradoxo: o estado concentra a maior densidade de doutores por habitante do país e abriga algumas das mentes mais brilhantes e instituições mais respeitadas do continente, mas esse ecossistema foi sufocado por anos de instabilidade política, ingerência e descontinuidade administrativa.

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e sua rede vinculada – que reúne potências de formação, fomento e inclusão tecnológica – não podem mais ser tratadas como moeda de troca política ou como um apêndice burocrático. Elas são, estruturalmente, o motor econômico mais subutilizado do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro não precisa inventar sua estratégia de desenvolvimento baseado em conhecimento: ele já dispõe de uma. O Estado construiu, como instrumento permanente de planejamento, um plano estratégico orientado por missões, tecnicamente ancorado no diagnóstico da “estrutura produtiva oca” fluminense e na dependência excessiva dos royalties do petróleo. Esse plano organiza a economia do estado em complexos econômicos estratégicos e define, entre suas missões, a vantagem competitiva associada à economia do conhecimento e a desconcentração territorial das oportunidades. O problema nunca foi a ausência de plano. Foi a asfixia fiscal, a descontinuidade e a falta de articulação com a União que sufocaram sua execução — e é exatamente esse quadro que começa a mudar.

Em junho de 2026, o Rio encerrou o Regime de Recuperação Fiscal e aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (PROPAG). Com a adesão ao PROPAG, a dívida do Estado do Rio com a União foi reduzida em mais de R$ 42 bilhões, os juros reais caíram a zero e a parcela mensal recuou de cerca de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, ampliando a capacidade fiscal do Estado e permitindo uma economia estimada em R$ 12,3 bilhões em 2027. Pela primeira vez em quase uma década, o estado tem fôlego para investir. A questão deixa de ser se há recursos e passa a ser como aplicá-los. É aqui que um mandato federal se torna decisivo: o PROPAG é lei federal, e cabe à representação fluminense na Câmara fiscalizar que esse alívio se converta em economia do conhecimento — não em despesa que se dissipa.

 

Atuaremos em quatro frentes: 

 

Primeiro:

garantir que a capacidade fiscal liberada recomponha o que a instabilidade destruiu: a autonomia da FAPERJ, a estabilidade orçamentária das universidades estaduais e a plena execução da Lei Estadual de Inovação.

 

Segundo:

Fiscalizar que a contrapartida obrigatória do PROPAG em educação profissional e infraestrutura seja direcionada às competências que a economia do conhecimento exige – software, dados, inteligência artificial e economia verde -, dando lastro financeiro à modernização da rede técnica fluminense, e que os investimentos em adaptação climática se articulem às missões estaduais de segurança hídrica, descarbonização e resíduos. Esses recursos também devem poder ser investidos nas universidades estaduais, como UERJ e UENF.

 

Terceiro:

Territorializar no estado do Rio de Janeiro os principais instrumentos de fomento da União — como recursos do FNDCT e editais da Finep, linhas de crédito e participação do BNDES, cooperações da Embrapii, além do poder de compra federal e de encomendas tecnológicas. Essa articulação utilizará a capacidade de investimento estadual como contrapartida para atrair o coinvestimento federal nos Corredores Tecnológicos: iniciativas voltadas a descentralizar o desenvolvimento econômico fluminense, que conectam polos acadêmicos locais a potenciais produtivos regionais para impulsionar a inovação fora dos grandes centros. 

 

Quarto:

Defenderemos a alavanca mais óbvia para o estado que produz o pré-sal: a vinculação de parte do Fundo Social do Pré-Sal à ciência e à tecnologia. Diversificar a economia fluminense para além dos royalties usando o próprio fundo do petróleo para financiar essa diversificação é a política mais coerente disponível — e é uma bandeira que só um mandato federal sustenta.

 

Nosso projeto, que apoia Lula presidente, está convencido que a melhor alternativa do Governo do Estado é a candidatura de Eduardo Paes, que já demonstrou ser capaz de promover um choque na gestão pública para gerar desenvolvimento e melhoria dos serviços públicos. Nós pudemos contribuir com esse projeto, à frente da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, onde mais que triplicamos a rede de Naves do Conhecimento, promovendo inclusão tecnológica e digital em todos os cantos da cidade, trazendo as universidades e a ciência para a gestão e promovendo a inovação aberta como indutora de transformações na cidade. 

Conectar o Estado à capital, tirando o Estado desse atoleiro de lama e corrupção, é uma tarefa histórica de todos que querem que o Rio possa voltar a exercer seu papel no país, se reindustrializando, crescendo, gerando mais inclusão social e oportunidades.

Queremos contribuir fortemente para o próximo projeto de Eduardo Paes governador, o desafio não é apenas reconstruir; é vincular de forma indissociável a ciência ao desenvolvimento econômico e à redução da desigualdade social.

 

O diagnóstico: o custo da Irresponsabilidade

A herança de gestões que negligenciaram o setor é nítida. O Rio de Janeiro sofreu com o esvaziamento de suas universidades estaduais, atrasos crônicos em bolsas e o enfraquecimento de agências estratégicas. Mais do que a perda de orçamento, o estado perdeu reputação, previsibilidade e capital humano, gerando uma severa “fuga de cérebros” para outros estados e países.

A ciência fluminense sobreviveu por sua própria resiliência institucional, e não por incentivo governamental. O próximo governo precisa entender que investir em CT&I não é gasto ou luxo orçamentário: é a única via para diversificar uma matriz econômica hoje excessivamente dependente dos royalties do petróleo. O próprio capital e a engenharia do setor são o insumo da transição para produzirmos energia limpa, hidrogênio, minerais e química de alto valor.

 

A Rede que faz do Rio uma potência nacional

O Rio de Janeiro possui uma infraestrutura única no país. O segredo para o próximo mandato não é criar novas estruturas, mas fazer a engrenagem atual funcionar de forma integrada e desburocratizada:

Fomento Estratégico (FAPERJ): A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro precisa ter sua autonomia financeira blindada e deve ser presidida por pessoas da comunidade científica. O fomento deve cobrir a pesquisa básica e a inovação.

Formação de Excelência (UENF e UERJ) ): As universidades estaduais precisam de estabilidade orçamentária e de um plano de modernização de seus laboratórios. Elas devem ser pontes ativas com o setor produtivo, estimulando patentes e a criação de spin-offs acadêmicas.

Ensino Técnico e Profissionalizante (FAETEC): Fortalecer a rede FAETEC por meio da atualização curricular, do aperfeiçoamento da oferta de cursos e da modernização de sua infraestrutura, alinhando a formação às vocações territoriais, aos arranjos produtivos locais, às demandas do mundo do trabalho e às oportunidades geradas pelas transformações tecnológicas. A rede deve combinar a formação em áreas estratégicas para a economia digital com cursos voltados aos diversos setores produtivos e às necessidades do desenvolvimento regional. Para isso, é essencial que o presidente da FAETEC seja escolhido de forma democrática.

Inclusão Digital e Popularização da Ciência (CECIERJ / Redes de Inclusão): O uso da capilaridade da educação a distância e de equipamentos de inclusão tecnológica nos municípios deve ser focado na educação à distância de qualidade, com potencial para substituir os cursos de má qualidade que se multiplicam. 

 

Corredores fluminenses de Inovação Territorial 

O Rio será organizado como uma rede de Corredores de Inovação Territorial, cada um ancorado em regiões específicas do Estado, conectando ciência, indústria e território a uma missão nacional e a um complexo econômico já mapeado pelo planejamento estadual:

Norte Fluminense e Bacia de Campos — energia e transição. Do arranjo histórico Petrobras–UFRJ, que colocou o Brasil na vanguarda da exploração em águas ultraprofundas, à descarbonização, à energia eólica offshore, ao hidrogênio verde e à cadeia de minerais estratégicos. O sistema regional de inovação da região, ancorado na UENF, sua Agência de Inovação e a UFF-Macaé, já existe em embrião e precisa de escala federal.

Baía de Guanabara e metrópole — Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Com a Fiocruz como âncora, o objetivo é recuperar a base produtiva de farmoquímicos e imunobiológicos que o estado perdeu, nos segmentos de maior valor agregado, articulada à economia do mar e à biotecnologia marinha.

Baía de Sepetiba e Costa Verde — logística, indústria naval e industrialização local de minerais críticos, fechando no território a cadeia que hoje se exporta como minério bruto.

Região Serrana e Petrópolis — computação soberana e adaptação climática. Sede do supercomputador nacional, é o corredor natural da IA soberana e das missões estaduais de segurança hídrica, descarbonização e resíduos, com gêmeos digitais e soluções baseadas na natureza.

 

Três diretrizes para a próxima gestão

Para que essa rede se traduza em desenvolvimento e prosperidade, a liderança do próximo governador deve se pautar por três pilares práticos:

 

1. Inovação Voltada para Desafios Públicos

A ciência do Rio de Janeiro deve ser convocada para resolver os problemas históricos do próprio estado. O governo deve utilizar mecanismos como as Encomendas Tecnológicas (ETCs), as Contratações Públicas de Solução Inovadora (CPSIs) e o Marco Legal da Ciência e Tecnologia para contratar soluções inovadoras desenvolvidas nas universidades locais para a segurança, a telemedicina no SUS e a prevenção de desastres climáticos nas encostas.

 

2. Atração de Investimentos e Consolidação de Hubs Tecnológicos

O Rio de Janeiro tem vocação natural para ser o principal hub de tecnologia e transição energética da América Latina. O governo estadual deve atuar em sinergia com os municípios para desonerar o setor de base tecnológica, atrair data centers de alta performance e criar distritos de inovação integrados às universidades e ao setor produtivo para o desenvolvimento de soluções soberanas de Inteligência Artificial.

 

3. Inclusão Sociodigital como Combate à Pobreza

A tecnologia deve ser uma ferramenta de mobilidade social. Levar conectividade de alta velocidade, laboratórios de prototipagem (FabLabs) e capacitação em IA para as favelas e para o interior do estado não é apenas uma política social; é uma estratégia de expansão da força de trabalho qualificada que o mercado de tecnologia tanto disputa. Nós já fizemos isso na cidade do Rio de Janeiro e vamos fazer no Estado todo.

 

Retomar o protagonismo nacional do Rio de Janeiro e ajudar a desenvolver o Brasil

O Rio reúne universidades de excelência, centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente, empresas estratégicas para a soberania energética e tecnológica, um dos maiores complexos científicos da saúde da América Latina, um ecossistema crescente de inovação e uma economia criativa com projeção global.

Mais do que um estado, o Rio reúne as condições para se tornar um verdadeiro laboratório nacional de desenvolvimento baseado no conhecimento.

O Rio abriga, em Petrópolis, o Laboratório Nacional de Computação Científica e o supercomputador Santos Dumont, projetado no Plano Brasileiro de IA para figurar entre os cinco maiores do mundo, além de coordenar por mais de duas décadas a rede nacional de supercomputação. É a infraestrutura soberana de IA mais estratégica do país, e está no Rio. O Rio.IA é a lógica que territorializa esse ativo: conecta o Santos Dumont e a futura nuvem soberana às universidades fluminenses, ao Porto Maravalley, às deep techs e, pela capilaridade das Naves do Conhecimento, às favelas e ao interior, convertendo inclusão sociodigital na base de uma força de trabalho qualificada em IA. O Rio não pede para participar da economia da IA soberana: ele hospeda seu principal motor.

O desafio é conectar capacidades que já existem. Cabe ao poder público construir pontes entre ciência, indústria, cultura, inovação e desenvolvimento territorial, transformando o Rio em um laboratório de políticas públicas capazes de inspirar todo o país e promover prosperidade para seu povo.

Experiências bem-sucedidas poderão servir de referência para outras cidades e estados brasileiros, fortalecendo uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada no conhecimento. O Rio de Janeiro tem todas as condições para liderar esse processo.

 

O Brasil e o Rio podem voltar a sonhar grande

O Brasil Soberano 4.0 nasce dessa convicção.

Ele não oferece respostas prontas para todos os desafios brasileiros.

Oferece uma direção.

Uma direção que aposta na inteligência coletiva, na força das instituições democráticas, na excelência da ciência brasileira, na potência da nossa cultura e na capacidade do nosso povo de construir um futuro melhor.

O Brasil já possui tudo o que é mais valioso para as próximas décadas.

Tem conhecimento.

Tem criatividade.

Tem biodiversidade.

Tem diversidade.

Chegou a hora de transformar esse potencial em desenvolvimento.

Bem-vindo ao programa Brasil Soberano 4.0. Vamos mudar juntos o nosso país!

Quero fazer parte dessa construção!