Consolidar o Brasil como potência da bioeconomia, da transição energética, da economia do mar, dos serviços ambientais e da adaptação climática.
Durante séculos, nossa riqueza natural foi tratada como vantagem comparativa: países em desenvolvimento exportavam recursos, importavam tecnologia e ocupavam posições subordinadas nas cadeias globais de valor. O século XXI muda essa lógica. A emergência climática, a transição energética, a disputa por minerais críticos, o avanço das biotecnologias e a valorização da biodiversidade fazem da natureza uma das bases materiais da nova economia do conhecimento. Podemos aproveitar melhor nosso potencial, contanto que façamos da preservação do meio ambiente uma condição dessa nova economia. É possível desenvolver, sem desmatar ou degradar nossas riquezas naturais.
Somos o país com a maior biodiversidade do planeta, concentrando entre 15% e 20% de toda a diversidade biológica mundial em em nosso território. Temos também uma matriz elétrica majoritariamente renovável: em 2025, as fontes renováveis responderam por 86,8% da oferta interna da energia elétrica, que inclui hidrelétrica, solar, eólica e biomassa. A isso se somam a Amazônia Azul, com cerca de 5,7 milhões de km² – equivalente a 67% do território terrestre nacional – e algumas das maiores reservas mundiais de terras raras, ativos estratégicos para a bioeconomia, a transição energética, a economia do mar e as tecnologias do futuro.
Mas essas vantagens não produzirão desenvolvimento automaticamente. A história brasileira mostra que riqueza natural, quando desacompanhada de ciência, inovação, planejamento público e política responsável, pode reproduzir dependência tecnológica, baixo valor agregado e degradação ambiental. Em tempos de mudanças climáticas, o desafio é preservar nossos recursos naturais ao mesmo tempo em que os transformamos – pela via do conhecimento – em empregos, renda e criatividade produtiva.
A missão do século XXI é inverter a lógica que nos fez degradar nossa natureza em diferentes momentos históricos. Construir um modelo capaz de proteger biomas, valorizar conhecimentos tradicionais, fortalecer a ciência brasileira, adensar cadeias produtivas, gerar empregos, reduzir desigualdades territoriais e ampliar a soberania nacional. Preservar e desenvolver não são agendas opostas: no século XXI, preservar é condição para desenvolver. E desenvolver, para o Brasil, deve significar produzir mais conhecimento, mais valor agregado, mais justiça social e mais capacidade de decidir seu próprio futuro.
Queremos fazer com que a natureza brasileira, preservada e valorizada, seja a base de uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, soberano e inclusivo. Isso significa deixar de tratar biodiversidade, água, sol, vento, mar, florestas e minerais como estoques a serem explorados e vendidos como produtos primários. E passar a compreendê-los como plataformas de conhecimento, inovação, indústria, emprego e bem-estar. O combate às mudanças climáticas e às suas consequências deve orientar uma nova economia. O Brasil precisa deixar de exportar natureza bruta para exportar ciência, tecnologia, produtos, serviços, soluções climáticas e inteligência industrial produzidos a partir de suas próprias capacidades.
A bioeconomia que defendemos não é biopirataria nem mercantilização predatória da biodiversidade. É uma bioeconomia baseada em pesquisa científica, proteção ambiental, repartição justa de benefícios, respeito aos conhecimentos tradicionais, consentimento livre, prévio e informado de povos originários e comunidades tradicionais, e fortalecimento de cadeias produtivas locais. A biodiversidade brasileira só poderá ser convertida em desenvolvimento se os territórios que a protegem forem também protagonistas da riqueza gerada.
A transição energética, a política de minerais críticos e a economia do mar precisam ser compreendidas como partes de uma mesma estratégia de neo-industrialização verde. Hidrogênio de baixa emissão, energias renováveis, minerais estratégicos, biodiversidade marinha e infraestrutura logística devem impulsionar cadeias produtivas com conteúdo nacional, transferência de tecnologia, beneficiamento local, pesquisa aplicada, formação profissional e geração empregos qualificados.
A adaptação climática precisa deixar de ser apenas uma resposta emergencial e se tornar política permanente de Estado. Chuvas extremas, enchentes, deslizamentos, ondas de calor, erosão costeira e insegurança hídrica já afetam a vida da população brasileira, especialmente nas favelas, periferias, encostas, áreas costeiras e territórios com menor infraestrutura. Preparar cidades e territórios para enfrentar enchentes, deslizamentos, ondas de calor e outros eventos extremos, proteger vidas, reduzir desigualdades e orientar investimentos públicos em infraestrutura resiliente, soluções baseadas na natureza, tecnologia, monitoramento e planejamento urbano.
Construir uma bioeconomia brasileira baseada em ciência, conservação, repartição justa de benefícios, valorização dos conhecimentos tradicionais e protagonismo dos territórios que protegem a biodiversidade.
Transformar a vantagem brasileira em energia limpa em política industrial, tecnologia nacional, empregos qualificados, conteúdo local e redução de dependências externas.
Construir uma política nacional para minerais críticos e terras raras, garantindo soberania tecnológica, beneficiamento local, industrialização de maior valor agregado e proteção ambiental.
Fazer da economia do mar uma estratégia nacional de desenvolvimento, integrando ciência oceânica, conservação marinha, logística, indústria naval, pesca sustentável, biotecnologia, energia offshore e soberania.
Preparar cidades e territórios para a emergência climática, ampliando infraestrutura resiliente, arborização, prevenção de desastres, adaptação urbana, soluções baseadas na natureza e proteção das populações mais vulneráveis.
Criar Corredores de Inovação Verde e Azul, conectando biomas, bacias hidrográficas, zonas costeiras, universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo e comunidades em torno de missões territoriais de desenvolvimento sustentável.
O mandato atuará para integrar desenvolvimento econômico, sustentabilidade, ciência e justiça social como parte de uma mesma estratégia nacional, combinando produção legislativa, incidência na regulamentação de marcos legais já aprovados, fiscalização de políticas públicas, defesa de investimentos estratégicos e articulação entre União, estados, municípios, universidades, instituições científicas, setor produtivo, comunidades tradicionais, povos originários, cooperativas, bancos públicos e organismos internacionais.
A prioridade será impedir que a transição ecológica brasileira seja capturada por uma lógica de baixo valor agregado. Não basta produzir energia limpa, explorar minerais críticos ou comercializar ativos ambientais: é preciso garantir que essas oportunidades resultem em indústria nacional, tecnologia brasileira, empregos qualificados, proteção dos biomas, repartição justa de benefícios e melhoria concreta da vida da população. Transformar a natureza em desenvolvimento exige conectar bioeconomia, transição energética, economia do mar, adaptação climática e neo-industrialização verde às demais missões do programa – ciência, educação, cultura, trabalho e democracia.
Aprovar um Marco Nacional da Bioeconomia, com base em repartição justa de benefícios, proteção do patrimônio genético, valorização dos conhecimentos tradicionais, rastreabilidade das cadeias produtivas, consentimento livre, prévio e informado e protagonismo de povos originários e comunidades tradicionais.
Instituir uma Política Nacional de Economia Azul, integrando ciência oceânica, infraestrutura portuária, indústria naval, energia offshore, logística, pesca sustentável, biotecnologia marinha, turismo, defesa, conservação dos ecossistemas marinhos e inovação.
Atuar na regulamentação do marco legal do hidrogênio de baixa emissão (Lei 14.948/2024), garantindo conteúdo nacional, transferência de tecnologia, formação profissional, pesquisa aplicada e encadeamento produtivo no Brasil.
Atuar na regulamentação da eólica offshore (Lei 15.097/2025), assegurando planejamento ambiental, desenvolvimento da indústria nacional, participação dos territórios costeiros, contrapartidas tecnológicas e conexão com a cadeia produtiva da energia e da indústria naval.
Estabelecer diretrizes para uma Política Nacional de Minerais Críticos e Terras Raras, orientada à soberania tecnológica, ao beneficiamento local, à industrialização de segunda e terceira geração, à proteção ambiental e à retenção de valor no país.
Criar instrumentos para evitar a exportação de minerais críticos em estado bruto sem contrapartidas de processamento local, transferência de tecnologia, pesquisa, qualificação profissional e desenvolvimento regional.
Fortalecer a legislação sobre adaptação climática, infraestrutura resiliente e prevenção de desastres, com prioridade para territórios vulneráveis.
Criar um Programa Nacional de Cidades Resilientes e Soluções Baseadas na Natureza, apoiando drenagem sustentável, reflorestamento, arborização urbana, recuperação de rios, contenção de encostas, parques urbanos, cidades-esponja e sistemas de alerta precoce.
Instituir Corredores de Inovação Verde e Azul, articulando universidades, institutos de pesquisa, empresas, cooperativas, comunidades, governos e instrumentos federais de financiamento em torno de missões territoriais de desenvolvimento sustentável.
Defesa do Fundo Clima e dos instrumentos de financiamento da transição ecológica.
Ampliação dos investimentos em pesquisa aplicada à bioeconomia.
Apoio à infraestrutura de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
Investimentos em reflorestamento, recuperação de biomas e soluções baseadas na natureza.
Incentivo à inovação em energias renováveis e economia do mar.
Apoiar projetos de adaptação climática baseados em soluções naturais e tecnologias digitais, como gêmeos digitais e cidades-esponja.
Fiscalização
Execução do Plano Clima e das políticas nacionais de adaptação.
Aplicação dos recursos do Fundo Clima.
Implementação das políticas de prevenção de desastres.
Cumprimento das metas nacionais de descarbonização.
Programas federais voltados à bioeconomia e à economia azul.
Parcerias estratégicas
Governos estaduais e municipais.
Universidades e instituições científicas.
Comunidades tradicionais e povos originários.
Setor produtivo e cooperativas.
Bancos públicos e organismos internacionais.